Água
É no frio da beleza e paciência
Que sem ônus a mim banha e encanta
Com prazer digo, pois, oh água, és santa!
Dádiva, vida és por excelência!
Sem temor ao longe levas bonança
Pelo fio do teu leito derramante
Arquétipo do qual, lânguida e constante
Mole faze-te imagem e semelhança
Sonora o fim do altiplano alcanças
Com empáfia, genial maestria
Corajosa, intrépida e fugidia
Sem pensar do acre ao vazio te lanças
Impiedosa, violenta, sim, te chamam
Por seus golpes vorazes, veementes
Mas, de cegos, não veem que são valentes
As duras margens que te aprisionam
Como o ciclo vivido reinicia
Uma vez encontrado o oceano
Te retratas e vês como era insano
O vigor mineral com que corrias.