segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Matrix


À minha mãe.

Foi Ela a quem dei dor, sono e deleite
E a quem pus lágrima e sorriso à cara
E a quem fiz largar tudo ao meio para
De pronto oferecer-me o morno leite

É ela que com ato, exemplo, história
A dor da vida faz com que eu aceite
Não com resignação, mas tendo à mente
Que só com a luta se chega à vitória

Quem é essa mulher que tão bem quero?
Ao questionar ao mundo esse mistério
Um grito em mim depressa ecoou:

É a minha mãe, tão doce, terna e mansa
Matriz de minha sábia ignorância
Motivo inexorável do que sou!

Paraíba, 05-05-2010.

Franciscos

Soneto em homenagem aos meus avós, Francisco José de Andrade e Francisco Clemente da Silva (ambos In memoriam)

Preencheram-me a vida a certa altura
Dois Franciscos com quase a mesma idade
Sendo um deles um céu de austeridade
E o outro um frio mar de doçura

Consonantes em minha ontogenia
Dois nascidos da mesma terra dura
Preto e branco: a gênese da mistura
Da cor que a minha pele pintaria

Sua terna bravura, seu legado
Que por muitos será perpetuado
Ficarão para sempre na memória

Pois que a morte, ato último do ser
Hoje única certeza me fez ter
De que um Homem não morre: vira História!


Thiago Andrade.