Rodeado de paz num ventre vivo
Minha terra de perene bonança
Ilha onde só se dorme, nutre e dança
E onde gozo de tudo que preciso
Mas expulso do lar à revelia
Minha etérea existência é degradada
A morada tornara-se apertada
Viver lá já não mais suportaria
Pelo estreito canal me passa o corpo
Caminhando a tornar-se neonato
Meu umbigo, meu último contato
Perco em meio a enorme desconforto
Só uma coisa almejava: amenizar
Essas tais sensações de amargo gosto
Transformei-me em perverso polimorfo
Procurando o prazer reencontrar
Hoje, quando deixei de ser criança
Em neurose, sabor, sexo e riso
De um dia tornar ao paraíso
Sobrevive a insana esperança.
Thiago Andrade
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