terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cicatrizes

Observo ascenderem já com calma
As salinas detentas do desgosto
Que silentes me rolam pelo rosto
Ao fechar das janelas de minh'alma

Hoje só posso ver as cicatrizes
E do fogo escaldado a fumaça
No semblante a dureza da desgraça
Que outorga engenho aos infelizes

Nesse peito cerrado a cadeados
Sentimento esquecido, ressecado
Como o chão de um lugar onde não chove

Logo vai dar lugar à luz, à graça
Porque sabe que o tempo logo passa
E que a crise é existência que se move

Thiago Andrade

4 comentários:

Frankleudo Luan de Lima Silva. disse...

Genial...arrasou novamente!
Continue sempre compondo e encantando.
Parabéns, duplamente Parabéns!

Sem nome disse...

Nesse peito cerrado a cadeados
Sentimento esquecido, ressecado
Como o chão de um lugar onde não chove

Aquilo mais intríseco e não revalado por nós...

Unknown disse...

Existencial e Objetivo.

w

Micaela disse...

Muito bom!!! Gostei e me identifiquei bastante com tudo q escreve... tbm faço psicologia...isso deve ajudar na identificação, mas vc escreve muito bem! PARABÉNS!